ALMOFADAS GÉMEAS

21.11.17
Há algumas semanas chegou-me a casa um pacote recheado de mimos e de carinho. Sei que quem enviou não esperava novidades na volta do correio mas eu não resisti a retribuir em forma de almofadas para os seus filhos gémeos, dois meninos de tenra idade. Usei um tema que gosto muito e que em Portugal chamamos carinhosamente de "carrinha pão de forma" mas é a.k.acamper van ou kombi. É um desenho que dá panos para mangas pois remete à praia, ao estilo de vida surfista e aos movimentos pacifistas hippies e flower power dos anos 60. E o desafio que me coloquei foi o seguinte: abusar de cor e flores de maneira a não cair no universo feminino. Acho que consegui. As almofadas são similares, mas não iguais, pois tal como irmãos gémeos, podem até ser parecidos, mas nunca, idênticos. Individualidade, sempre!
Deixo aqui o melhor template de uma camper van na internet. Palavra de quem acredita que um dia,  ainda vai sair por aí a bordo de uma pão de forma "overmente" decorada.

BELEZA SEM RETOQUES

12.11.17
Sempre hesito muito antes de publicar no blog os trabalhos que faço profissionalmente. Mas depois que os mostro, a onda de curiosidade em relação a conservação e restauro e a chuva de emails com perguntas sobre estes assuntos são tão grandes por parte de quem me lê, que acabo por me convencer que sim, que quem passa por aqui, tem um genuíno interesse por reabilitação de casas usadas pelas pessoas e pelo tempo. Esta intervenção foi especial, não tanto pelo apartamento em si, (sim, ele é lindo, mas estou habituada a isso, 99,9 % do meu trabalho como arquiteta é em remodelações) mas pelo que pude descobrir depois que levantei o linólio que cobria o piso da cozinha, raspei a tinta do interior da chaminé ou desmontei a parede que dividia duas salas. Por baixo do linólio, revelou-se um chão de madeira interrompido aqui e ali por mosaicos hidráulicos, num patchwork surpreendente. Sob a camada de tinta, apareceram delicados azulejos antigos. E quando descasquei cuidadosamente a parede, surgiu uma estrutura linda, de madeira, como se de um biombo se tratasse. Belas surpresas, que me levam a pensar que é um privilégio trabalhar nesta área, e uma responsabilidade acrescida deixar à vista uma beleza nua e crua, com marcas e defeitos. Sem disfarces.

FELIZ HALLOWEEN

31.10.17
Uma cirurgia da minha filha, há muito planeada, mas marcada quase de uma hora para a outra, fez com que eu, de repente, me visse sentada num voo em direção aos Estados Unidos. Não esperava lá voltar tão cedo, e o espírito da viagem foi bem diferente do que quando vamos de férias. Os dias tornam-se poucos e intensos, a máquina fotográfica não vai na mala, as prioridades alteram-se. Só que era Halloween, um evento entusiasticamente vivido pelos Americanos, e o tema estava por toda a parte: nos supermercados, nas montras das lojas, nas ruas da cidade, nos restaurantes e bares, nas fachadas das casas. E há os amigos, que num primeiro momento nos amparam, porque estamos fora de casa e em situação frágil, mas que quando passa a fase mais delicada e as coisas correm bem, regozijam-se connosco e nos convidam para a festa. E foi assim que de súbito me vi rodeada de abóboras e de coisas assustadoras, de alegria e de muita amizade.

O ROUPEIRO DE BONECAS

21.10.17
Eu sempre achei graça a miniaturas e mais ainda a móveis antigos para as bonecas. Acho que têm uma simplicidade e um charme, que os modernos, produzidos em série e em plástico, não possuem. Eram de fato réplicas de móveis verdadeiros, feitos em metal ou madeira, com pormenores interessantes, e utilizando elementos impensáveis nos dias de hoje: quem deixaria sua criança divertir-se com um brinquedo que precisou de pregos para ser montado ou exibe um espelho de verdade? Quando as minhas filhas eram pequenas, eu ia colecionando alguns, na esperança de ter suficientes para montar uma casa completa. Só que tudo isso leva tempo, e o tempo para ser criança é limitado. Elas cresceram, desinteressaram-se desse universo lúdico e as peças ficaram esquecidas cá por casa: caminhas, máquinas de costura, mesa de cozinha, louças de casa de banho e o roupeiro que vos mostro hoje. Fui dar com ele na prateleira da estante, completamente relegado e em péssimo estado. Posso garantir, no entanto, que o seu aspeto gasto devia-se não só aos seus anos de existência como também a muitas e muitas horas de brincadeiras. Enfim, peguei nele, e foi muito bom por uma vez ter uma peça pequena para trabalhar: em algumas horas, desmontei, lixei, encerei e forrei. Aaah ganhou novo fôlego o armário! e sabem do que gosto mais nele? de alguém se ter lembrado, quando o idealizou, que um prego tinha a escala certa para ser um puxador de porta!

DUAS MANTAS E A JANELA DA D. IRENE

13.10.17
Foi no estendal da D. Irene que eu pedi para pendurar as minhas mantas. A janela da cozinha da D. Irene dá para um pátio que pertence à oficina que eu frequento 1 vez por semana. É para essa oficina que levo as minhas peças velhas e é lá que tenho toda a liberdade para restaurá-las ou repaginá-las, já que em casa essas tarefas tornam-se muitas vezes impossíveis. E a cada 7 dias empoleiro-me na janela da D. Irene para dois dedos de conversa. O prédio é velho e a madeira da janela mal se aguenta. Do meu posto vislumbro parte da cozinha, também ela cheia de rachas, mas com uma chaminé em pedra, linda, e um suporte na parede que exibe tachos e panelas. Eu tenho esse fascínio pela ação do tempo sobre os objetos, e aonde a D. Irene enxerga anos e anos de uma vida de sacrifícios e solidão, eu, apenas vejo beleza. Quanto às mantas foram feitas do meu jeito, com muito carinho, para duas crianças que acabam de chegar ao mundo. Um menino e uma menina e acho que não vale a pena dizer qual manta é para quem, porque isso ficou muito óbvio. Quando digo que fi-las do meu jeito, quero explicar que exagerei na mistura de padrões, porque é esse o meu gosto, e não usei tecidos e cores para crianças, porque nunca fui de tradições!

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